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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

“Nem toda vitória é honesta. Nem todo sucesso é decente”

Filósofo e professor Mário Sérgio Cortella abre a oitava edição do Saúde Business Fórum falando sobre ética

Foi com esta e outras reflexões que o professor e filósofo da PUC-SP, Mário Sérgio Cortella, abriu o Saúde Business Fórum, na manhã desta quinta-feira (16). O encontro reúne mais de 120 lideres do setor de saúde entre 16 e 19 de setembro, na Praia do Forte, na Bahia.

Com o tema “Ética nos negócios como base para o desenvolvimento sustentável”, Cortella falou com maestria e convidou a plateia a uma serie de questionamentos sobre a vida e a postura ética de cada um. Logo no começo, o filósofo falou da missão dos executivos do setor: “É ganhar a vida cuidando de vidas”.

O filósofo falou do tema usando desde de citações bíblicas a exemplos de grandes personagens do Brasil e do mundo como Paulo Freire, Madre Tereza de Calcutá, Nelson Mandela e outros. Ele colocou a ética como questão na vida e no cotidiano das pessoas, não de maneira voltada à gestão ou a rotina corporativa, pois segundo ele, elas não se separam. "As pessoas não podem separar a ética dos papeis que exercem durante a vida: pai, filho, marido e empresário".

Sustentabilidade

Cortella falou sobre os pilares para um negócio ético, que deve ser comporto por competitividade, rentabilidade, produtividade e lucratividade alinhados com sustentabilidade. “ Uma empresa íntegra precisa ter sustentabilidade ética, porque do contrário, para quê?”, questionou.

E ao falar de sustentabilidade, se fala de futuro, ou seja, o que será deixado para as próximas gerações, ele se referiu ao esgotamento dos recursos naturais como um saque antecipado. “Nós estamos sacando o futuro por antecipação”

O filósofo lembrou que essa semana se completa dois anos de um dos estopins da crise econômica mundial, quando em 15 de setembro de 2008 ocorreu a quebra do banco Lehman Brothers. “Muita gente entrou em desespero, mas ela não é uma crise econômica, é uma crise ética. Não foi uma crise de crédito, foi de credibilidade”, disse se referindo às causas e aos momentos anteriores do episódio como, antes de tudo, um problema ético e norteado pela frase “Fazemos qualquer negócio”.

Em vários momentos, o professor pontuava: “Todos nós vamos morrer, nós vamos partir”, trazendo para a discussão a reflexão sobre a obra de cada um, colocando em xeque a verdadeira importância do sucesso e como será o futuro: “É melhor que nossas vitórias sejam honrosas, Nem toda vitória é honesta, nem todo sucesso é decente.”

por Maria Carolina Buriti

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