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segunda-feira, 28 de março de 2011

Bradesco e Bueno podem se unir, diz banco

Bradesco Saúde e o empresário e o grupo do empresário Edson Bueno, fundador da Amil, são candidatos à fundir as suas operação a médio e longo prazos.

A observação é dos analistas do Credit Suisse, Natalia Lacava e Luiz Otavio Campos, em extenso relatório sobre o segmento de saúde no Brasil. Na avaliação deles, a consolidação, não apenas em pequenas aquisições, mas também na junção de grandes grupos, é um dos principais pontos a se analisar no setor.

As companhias, avaliam, estão em uma indústria sólida, bem capitalizadas e cada vez mais profissionalizadas.

"Se pensarmos se a união desses dois grandes investidores faz sentido, a resposta é certamente sim", escreveram os analistas. Entretanto, talvez essa associação não ocorra no curto prazo.

O relatório avalia que Bueno e Bradesco Saúde são os principais nomes do setor e têm fatias relevantes, na maioria dos casos de controle, das principais companhias. Bradesco tem seu próprio negócio de seguro saúde; 40% da OdontoPrev e 14% do Fleury. Edson Bueno tem hospitais, controla a Amil, com 63,6%, e possui participação muito relevante, de 23,6% na Dasa.

Os negócios são complementares e uma associação faz sentido, diz o relatório. "Muitas sinergias poderão ser capturadas, tanto em termos de receitas, com acesso a importantes canais de distribuição, quanto no lado dos custos, pois a nova companhia teria grande poder de negociação com fornecedores, maior escala e penetração de mercado", diz o documento.

No entanto, essa associação pode demorar um pouco porque ainda há muito espaço para consolidação no fragmentado setor, via aquisição de pequenas empresas pequenas.

"As líderes vão correr para adquirir as menores e aumentar o valor de seus ativos antes de fecharem um grande negócio", afirma o texto. Procurados pelo Valor, Bradesco Saúde e Amil não deram entrevista.

O Credit estima que a nova companhia teria valor de mercado de R$ 25 bilhões. Entre os empecilhos para uma futura parceria, o banco aponta aspectos regulatórios, como o fato de companhias de seguros não poderem possuir hospitais, embora esse ponto poderia ser equacionado com a criação de uma holding, avaliam. Além disso, a concentração de mercado, já que a OdontoPrev possui 30% de participação no mercado dental.

Os analistas do Credit Suisse também apontam que os acionistas da empresa de planos dentários podem ser contrários ao negócio por conta de conflitos de interesse e estratégias que a associação traria para seu negócio.

"Embora sinergias sejam claras quando se olha para a combinação de operações de diagnósticos e planos médicos, elas não são tão óbvias no segmento dentário. Por essa razão, existe a possibilidade de os acionistas da OdontoPrev não desejarem se expor ao setor de planos de saúde, mais arriscado."

Além disso, apontam, a empresa tem uma associação com o Banco do Brasil, que pode também dificultar o fechamento da operação. A OdontoPrev não quis comentar as informações.

Para o Credit Suisse, as melhores opções no setor são as ações de Dasa, Amil e OdontoPrev. Os analistas acreditam que Dasa e Amil deverão viver importantes mudanças em 2011, como novas parcerias e aquisições.

OdontoPrev, escrevem, é certamente uma opção de crescimento, ainda com boas perspectivas para os próximos anos, porque o segmento de planos dentários é bem menos explorado do que o médicos.

No caso do Fleury, o Credit avalia que ainda faltam informações de potenciais sinergias com o Lab Dor. No momento, apontam potencial limitado de alta da ação, até porque a empresa ainda luta para melhorar as margens.

Autor: Ana Paula Ragazzi - 28/03/11

Referência: Valor Econômico


quarta-feira, 23 de março de 2011

Atendimento médico tem paralisação no dia 7 de abril

Usuários de planos de saúde ficarão sem assistência por um dia. Objetivo, entre outros, é reajustar honorários O Dia Mundial da Saúde, 7 de abril, será de protesto para médicos de todo o País, que devem suspender os atendimentos eletivos a usuários de planos e seguros de saúde, em luta pelo reajuste dos honorários e adequação dos contratos considerados defasados. Apenas os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos neste dia.

A decisão de paralisação por 24 horas foi tomada pela Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM), Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e pelo conjunto das sociedades de especialidades médicas no último dia 18 de fevereiro, em reunião na sede da Associação Paulista de Medicina, em evento que reuniu mais de 100 entidades médicas nacionais.

E é bom ressaltar que, no dia 7 de abril, a suspensão dos serviços de consultas, exames e outros procedimentos já agendados, que terão de ser remarcados em data posterior, atingirá somente as operadoras de planos do Sistema Suplementar de Saúde, inclusive o Ipasgo e a Unimed. Os atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e particulares serão realizados normalmente.

De acordo com o presidente do Cremego, Salomão Rodri¬gues Filho, com esse protesto, as entidades médicas buscam assegurar aos médicos a melhoria da remuneração e das condições de trabalho e aos usuários de planos de saúde melhores condições de atendimento. Segundo ele, a paralisação é um ato em defesa da saúde suplementar, especialmente por mais qualidade na assistência prestada aos cidadãos.

O presidente do Cremego afirma ainda que a adesão dos médicos que atuam em consultórios, hospitais, laboratórios e outras unidades assistenciais de saúde é muito importante para o sucesso do movimento, que deve servir de alerta às operadoras, e conclama a classe médica goiana a aderir em massa à mobilização, suspendendo os atendimentos pelos convênios na data marcada.

Na pauta de reivindicações, que foi apresentada durante o I Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina de 2011 (I ENCM 2011), nos dias 16, 17 e 18, em Goiânia, na sede da Cremego, também foi discutida a exigência de regularização dos contratos que não têm cláusulas de periodicidade e critérios de reajuste, pela operadoras e pela Agência Na¬cional de Saúde Suple¬mentar (ANS), o que contraria a regulamentação para dos mesmos.

A denúncia de interferência dos planos de saúde na autonomia dos médicos também fez parte dos debates. Uma pesquisa realizada pelo Datafolha revela que 92% dos médicos credenciados reclamam que as operadoras interferem nos diagnósticos e nos tratamentos dos pacientes. Hoje, muitos planos de saúde recusam procedimentos que só os médicos podem decidir se são ou não necessários ao tratamento.

Financiamentos Um bom termômetro para se medir como anda o atendimento médico à população brasileira são os postos públicos de saúde do País. A deficiência do local é percebida não só pela precária infraestrutura que é o retrato da maioria, mas também pela demora para se conseguir atendimento ou, quando isso acontece, pela falta de medicamentos.

A preocupação do setor este ano recai sobre mais um desafio da saúde, que, além de ter de enfrentar uma demanda maior a cada ano, pela falta de hospitais e médicos na maioria dos Estados, pode sofrer cortes no financiamento, conforme anúncio do governo federal no mês de fevereiro. De acordo com o divulgado, o ajuste deve chegar a R$ 50 bilhões. Destes, R$ 18 bilhões serão de emendas parlamentares.

O tema também foi abordado no I ENCM 2011, em defesa da aprovação imediata da regulamentação da Emenda Constitucional 29, que contingencia porcentuais dos orçamentos federal, estaduais e municipais para o custeio e investimento em saúde no Brasil. Segundo o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz dAvila, que participou do evento, esse projeto, que se arrasta há anos no Congresso, é apontado como solução para a questão de investimentos em saúde.

DAvila afirma que o impasse prejudica a qualidade da assistência médica no País. Além disso, segundo o presidente, a regulamentação reduziria as situações que deixam as políticas em saúde fora do alcance do desenvolvimento econômico, divulgado nos últimos anos - em países como a França e Alemanha, os governos são responsáveis por 70% de todo gasto sanitário. No Brasil o porcentual é de 45%.

Saiba mais Paralisação: 7 de abril Duração: 24 horas Será suspenso: todo atendimento eletivo a usuários de planos e seguros de saúde Não será suspenso: atendimentos pelo SUS, particulares e emergência.

Referência: Tribuna Online